sábado, 18 de agosto de 2012

TÓPICO 1 - ANÁLISE E RESUMO DE ARTIGO


ANÁLISE E RESUMO DE ARTIGO
Artigo resumido e analisado: SKOVSMOSE, O. Cenários para investigação. BOLEMA. Rio Claro, n 14, p. 66-91, 2000.

CENÁRIOS PARA INVESTIGAÇÃO
No atual contexto educacional, o ensino de matemática é tomado quase que totalmente por práticas tradicionais e conservadoras, uma realidade na qual vivemos e fazemos uma educação com bases em um modelo estático de ensino. Esse modelo é caracterizado por Skovsmose como Paradigma do Exercício, práticas que direcionam o aluno para o comodismo e a alienação. O autor propõe sua superação na criação de espaços onde o educador possa desafiar o educando a ir em busca de seus limites, investigando, elaborando, reelaborando e construindo conhecimentos matemáticos, oportunizando uma aprendizagem significativa.
Nos cenários de investigação quebra-se a lógica da transmissão e da reprodução e ressalta-se a ideia de construção e produção de seu próprio conhecimento, tentando garantir a formação do educando na sua íntegra, e não somente a informação de determinado conteúdo.
Skovsmose (2000), ao apresentar os cenários para investigação, traz uma proposta de exploração matemática e justificação, relacionando-se com a Educação Matemática Crítica.
Com relação às atividades, um cenário para investigação é aquele que convida os alunos a formularem questões e procurarem explicações. Skovsmose (2000) conjuga a contraposição paradigma do exercício x cenários para investigação com três tipos de referências – matemática, semirrealidade e realidade – que tem por objetivo fazer com que os alunos produzam significados para as atividades e os conceitos. Na referência à matemática, as atividades dizem respeito apenas matemática; na referência à semirrealidade, trata-se de algo que está relacionado com a realidade, mas que não tenha acontecido efetivamente; e na referência à realidade, as atividades trabalhadas baseiam-se em situações da vida real.
Um convite à investigação pode ser aceito ou não, e Skovsmose (2000) enfatiza que o cenário para investigação só se constitui quando o convite à postura investigativa é aceito pelos alunos. Por isso, torna-se necessário que o professor procure saber as boas razões dos alunos para aceitar, ou não, tal convite, para que, ciente dessas razões, ele possa reformular seu convite e tentar seduzir os alunos para aceitá-lo. As boas razões de um aluno referem-se aos reais motivos de seu envolvimento no processo investigativo.
A Educação Matemática deve mover-se entre todos os ambientes de aprendizagem, o percurso entre os diferentes ambientes de aprendizagem pode ajudar a dar novos significados às atividades dos alunos. Procurar um caminho entre os diferentes ambientes de aprendizagem pode oferecer novos recursos que envolvem os alunos em ações e reflexões, dando à matemática  uma  dimensão crítica.
Para o professor o paradigma do exercício representa uma zona de conforto, enquanto nos cenários para investigação representa uma zona de risco onde o professor deve estar sempre preparado a novas situações, fazendo dessa uma atividade produtiva, estabelecendo formas de relações cooperativas.
Os computadors na educação matemática têm ajudado a estabelecer novos cenários para investigação, onde a reorganização do pensamento influencia muitas coisas, em particular a foema como o significado é produzido.
Acredito que ao proporcionar aos estudantes vivências com atividades de investigação, possamos aos poucos mudar a visão sobre esta área de conhecimento e, revelar para os estudantes uma Matemática que evoluiu junto com o processo humano e criativo de geração de ideias e subsequente processo social de negociação de significados, simbolização... Na sua gênese, o conhecimento matemático evolui da resolução de problemas vindo da realidade ou da própria construção matemática.
Não se pretende que os alunos se transformem em matemáticos profissionais, mas acredito que pensar matematicamente passa pela socialização de processos e formas de raciocínio características da atividade própria dos matemáticos. Trata-se de um trabalho que envolve um percurso de tentativa e erro, de formulação e testagem de conjecturas, de análise, de analogias, de reflexão, de crítica e de sistematização.
Os processos de aprendizagem e de criação pelos quais o estudante passa quando está investigando são de uma riqueza que merecem ser mais explorados por professores e pesquisadores quando da preparação de uma investigação aplicada na escola.
Quando partimos de um sistema educacional que em geral não privilegia o estudante como sujeito e sim como “objeto de aprendizagem” em sua passividade, e o conduzimos para um ensino que o coloca no centro do processo, como elemento atuante e criador, temos que lhe dar condições para isso.
Concordo com o autor quando sustenta que “a educação deve se mover entre os diferentes ambientes... não considero a ideia de abandonar por completo os exercícios da educação matemática”. É possível realizar a proposta de investigação e já se tem visto a sua execução em algumas salas de aula, mas acredito que deve haver uma mesclagem entre os diversos ambientes para que haja uma complementação e ou uma consolidação do aprendizado.
Por fim, a gradação na estruturação das tarefas a serem propostas ao estudante – de experiências guiadas para experiências livres – podem ser um auxílio na construção e constituição de sua autoconfiança. E nós como agentes do ensino, temos que prepar os alunos para que sejam cidadãos matematicamente críticos, ativos e reflexivos.

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