ANÁLISE
E RESUMO DE ARTIGO
Artigo
resumido e analisado: SKOVSMOSE, O. Cenários
para investigação. BOLEMA. Rio Claro, n 14, p. 66-91, 2000.
CENÁRIOS
PARA INVESTIGAÇÃO
No atual
contexto educacional, o ensino de matemática é tomado quase que totalmente por
práticas tradicionais e conservadoras, uma realidade na qual vivemos e fazemos
uma educação com bases em um modelo estático de ensino. Esse modelo é
caracterizado por Skovsmose como Paradigma do Exercício, práticas que
direcionam o aluno para o comodismo e a alienação. O autor propõe sua superação
na criação de espaços onde o educador possa desafiar o educando a ir em busca
de seus limites, investigando, elaborando, reelaborando e construindo
conhecimentos matemáticos, oportunizando uma aprendizagem significativa.
Nos cenários de investigação quebra-se a lógica da
transmissão e da reprodução e ressalta-se a ideia de construção e produção de
seu próprio conhecimento, tentando garantir a formação do educando na sua íntegra,
e não somente a informação de determinado conteúdo.
Skovsmose (2000), ao apresentar os cenários para
investigação, traz uma proposta de exploração matemática e justificação,
relacionando-se com a Educação Matemática Crítica.
Com relação às atividades, um cenário para investigação é
aquele que convida os alunos a formularem questões e procurarem explicações. Skovsmose
(2000) conjuga a contraposição paradigma do exercício x cenários para
investigação com três tipos de referências – matemática, semirrealidade e
realidade – que tem por objetivo fazer com que os alunos produzam significados
para as atividades e os conceitos. Na referência à matemática, as atividades
dizem respeito apenas matemática; na referência à semirrealidade, trata-se de
algo que está relacionado com a realidade, mas que não tenha acontecido
efetivamente; e na referência à realidade, as atividades trabalhadas baseiam-se
em situações da vida real.
Um convite à investigação pode ser aceito ou não, e
Skovsmose (2000) enfatiza que o cenário para investigação só se constitui
quando o convite à postura investigativa é aceito pelos alunos. Por isso,
torna-se necessário que o professor procure saber as boas razões dos alunos
para aceitar, ou não, tal convite, para que, ciente dessas razões, ele possa
reformular seu convite e tentar seduzir os alunos para aceitá-lo. As boas
razões de um aluno referem-se aos reais motivos de seu envolvimento no processo
investigativo.
A Educação Matemática deve mover-se entre todos os ambientes de
aprendizagem, o percurso entre os
diferentes ambientes de aprendizagem pode ajudar a dar novos significados às atividades
dos alunos. Procurar um caminho entre os diferentes ambientes de aprendizagem
pode oferecer novos
recursos que envolvem os alunos em ações e reflexões, dando à matemática uma
dimensão crítica.
Para o professor o
paradigma do exercício representa uma zona de conforto, enquanto nos cenários
para investigação representa uma zona de risco onde o professor deve estar
sempre preparado a novas situações, fazendo dessa uma atividade produtiva,
estabelecendo formas de relações cooperativas.
Os computadors na
educação matemática têm ajudado a estabelecer novos cenários para investigação,
onde a reorganização do pensamento influencia muitas coisas, em particular a
foema como o significado é produzido.
Acredito que ao proporcionar aos estudantes
vivências com atividades de investigação, possamos aos poucos mudar a visão
sobre esta área de conhecimento e, revelar para os estudantes uma Matemática
que evoluiu junto com o processo humano e criativo de geração de ideias e
subsequente processo social de negociação de significados, simbolização... Na
sua gênese, o conhecimento matemático evolui da resolução de problemas vindo da
realidade ou da própria construção matemática.
Não se pretende que os alunos se transformem em
matemáticos profissionais, mas acredito que pensar matematicamente passa pela
socialização de processos e formas de raciocínio características da atividade
própria dos matemáticos. Trata-se de um trabalho que envolve um percurso de
tentativa e erro, de formulação e testagem de conjecturas, de análise, de
analogias, de reflexão, de crítica e de sistematização.
Os processos de aprendizagem e de criação pelos
quais o estudante passa quando está investigando são de uma riqueza que merecem
ser mais explorados por professores e pesquisadores quando da preparação de uma
investigação aplicada na escola.
Quando partimos de um sistema educacional que em
geral não privilegia o estudante como sujeito e sim como “objeto de
aprendizagem” em sua passividade, e o conduzimos para um ensino que o coloca no
centro do processo, como elemento atuante e criador, temos que lhe dar
condições para isso.
Concordo com o autor quando sustenta que “a
educação deve se mover entre os diferentes ambientes... não considero a ideia
de abandonar por completo os exercícios da educação matemática”. É possível
realizar a proposta de investigação e já se tem visto a sua execução em algumas
salas de aula, mas acredito que deve haver uma mesclagem entre os diversos
ambientes para que haja uma complementação e ou uma consolidação do
aprendizado.
Por fim, a gradação na estruturação das tarefas a
serem propostas ao estudante – de experiências guiadas para experiências livres
– podem ser um auxílio na construção e constituição de sua autoconfiança. E nós como agentes do ensino, temos que prepar
os alunos para que sejam cidadãos matematicamente críticos, ativos e
reflexivos.
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